A diferença entre um conceito empírico e científico parte de um ponto comum, que é o objeto determinado. Contudo, pode-se assentar sobre esse, observações muito diferentes, como é, por exemplo, o que se pensa sobre o ritmo. Empiricamente o vemos como “alternância regular”, mas, O.Brik nos mostra que ele é “movimento particular”, isto é, “apresentação particular”.
O ritmo de um poema é anterior a sua disposição gráfica, pois, esta é seu resultado. O ritmo é movimento. Existem muitas maneiras de ler um poema, isto é, lhe impor um ritmo. Seja obedecendo a sua disposição nos versos, acentuando esta ou aquela palavra ou, ainda, obedecendo a sua pontuação. De acordo com o ritmo que impomos, podemos estar dando novos sentidos aos poemas. Porque o ritmo também pode gerar significados. Existem autores que dão mais valor aos temas dos poemas, outros a sua forma. Então cabe ao leitor perceber o que oferece ou pede o poema e proceder segundo seu juízo, observando que “sendo o verso a unidade rítmica e sintática primordial, é por ele que devemos começar o estudo da configuração rítmica e semântica”.
Existem outros dois conflitos que repousam sobre a linguagem poética: O primeiro é: o que mais importa num poema é sua forma ou seu conteúdo? Os dois. Pois o conteúdo presente no poema é igualmente formal. O segundo conflito é: o verso deve ser considerado por seu caráter semântico e sintático ou por seu som e ritmo? Também os dois. Porque o verso é um complexo lingüístico e como tal se vale de sua semântica e sintaxe além de aproveitar de elementos da língua falada, tais como som e ritmo.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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